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O Poder da Literatura feita por mulheres

Capaz de mudar a forma que a mulher vê o mundo, um livro ou até mesmo um poema feito por outra mulher é sinal de força e empatia


Por: Katiéli Duarte


Sensibilidade, fertilidade, beleza e força. Esses adjetivos são comumente aliados à imagem feminina desde o início das civilizações. Desde então, nós temos visto de perto a evolução do feminino em diversos aspectos através das conquistas legais como reconhecimento profissional, postos de trabalho e carreira, direito ao voto, independência financeira e, como não podia deixar de ser, na arte!


As mulheres estão presentes na história da arte de uma maneira muito peculiar, sobretudo na literatura quando, muitas vezes, utilizam desse espaço para dar voz às suas lutas. Conheça hoje algumas das principais autoras que, ao longo dos anos ou nos dias atuais, tem dado voz à milhões de outras mulheres no Brasil e no mundo.


Rupi Kaur

Nascida em Panjabe, na Índia em 5 de outubro de 1992 é uma poetisa feminista contemporânea, escritora e artista da palavra falada. Ela é popularmente conhecida como Instapoet pela atenção que ganha online com seus poemas em um perfil no Instagram. Ela publicou um livro de poesia e prosa intitulado "milk and honey" (Outros jeitos de usar a boca, no Brasil) em 2015. O livro aborda os temas violência, abuso, amor, perda e feminilidade.


Dando voz aos temas mais difíceis que envolvem a trajetória feminina, Rupi Kaur diz que o empoderamento é o assunto que mais gosta de escrever a respeito, pois "é como me tornar minha própria melhor amiga e dar a mim mesma os conselhos que preciso".


Quero pedir desculpa a todas as mulheres

que descrevi como bonitas

antes de dizer inteligentes ou corajosas.

Fico triste por ter falado como se

algo tão simples como aquilo que nasceu com você,

fosse seu maior orgulho, quando seu

espírito já despedaçou montanhas

De agora em diante vou dizer coisas como

você é forte ou, você é incrível!,

não porque eu não te ache bonita

mas porque você é muito mais do que isso.


Clarice Lispector

Nascida em Chechelnyk na Ucrânia, em 10 de dezembro de 1920 e naturalizada brasileira — que declarava, quanto a sua brasilidade, ser pernambucana — foi uma escritora e jornalista autora de romances, contos e ensaios, sendo considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX e a maior escritora judia desde Franz Kafka. Sua obra está repleta de cenas cotidianas simples e tramas psicológicas, reputando-se como uma de suas principais características a epifania de personagens comuns em momentos do cotidiano.


“O que me tranquiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível. Apesar da verdade ser exata e clara em si própria, quando chega até nós se torna vaga pois é tecnicamente invisível. O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.” Clarice Lispector - 2 de novembro de 1968.


Ryane Leão

Ryane Leão é uma poeta brasileira nascida em Cuiabá no Mato Grosso e radicada em São Paulo, estudou Letras na UNIFESP. Em 2008, começou a divulgar seus textos em "lambe-lambes" que espalhava pela cidade, e também no seu perfil no Instagram, além de participar de saraus. Em Tudo Nela Brilha e Queima, livro de poemas sobre empoderamentos e ancestralidade, ela alcançou o título de Rapi Kaur brasileira, já que aborda em sua primeira obra, temas semelhantes aos abordados pela indiana.


eu quero saber

das opressões que você se livrou

e de como seu cabelo

anda cada dia mais

selvagem e lindo

quero saber da culpa que

não te habita mais

quero ouvir

tudo que te silenciaram

eu quero que você me conte

a história das suas

cicatrizes

Cada uma ao seu modo, estilo e época, nos trazem reflexões sobre a atuação da mulher no mundo. Desde o cotidiano, com a clássica e rebuscada narrativa de Clarice ou com a leveza e empoderamento das escritas de Rupi e Ryane, nós nos identificamos enquanto agentes da própria história. Assim como as citadas no texto acima, existem centenas de milhares de outras mulheres que estão escrevendo os sentimentos, descrevendo cotidianos e despertando, umas nas outras, o sentimento de pertencimento e amor-próprio.


Se você se interessou pelo tema, vai gostar de conhecer essa lista preparada pela atriz Emma Watson, embaixadora da Boa Vontade ONU Mulheres:

https://casavogue.globo.com/LazerCultura/Livros/noticia/2017/07/10-livros-feministas-indicados-por-emma-watson.html

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